A Arqueologia do Saber – Foucault

 Em Filosofia, Livros (Sugestão de Leitura)

L’archéologie du savoir, 1969.
MICHEL FOUCAULT, 1926-1984.

Essa obra trata das formações e das transformações discursivas. Enquanto a história das ideias busca discernir, na decifração dos textos, as grandes unidades do pensamento, Foucault procura evidenciar as condições de formação das “coisas ditas”, as regras de sua transformação, as descontinuidades que as decompõem. Na verdade, trata-se de libertar a história do pensamento do preconceito da continuidade, livrá-la de pressupostos antropológicos baseados no par sujeito/objeto.

Serão recusadas as unidades tradicionalmente admitidas a título de critério de definição – do discurso (tais como os grandes tipos de discurso), da unidade do livro, do autor; também serão recusadas as concepções que vinculam a unidade do discurso a critérios de palavras e coisas, ao estilo de enunciação, à figura do tema. Suspendendo as categorias tradicionais, Foucault restitui aos enunciados o caráter de acontecimento, não para os isolar (pois nem tudo se passa apenas na ordem do discurso), mas para os relacionar com acontecimentos de ordem técnica, prática, econômica, social ou política. A descrição arqueológica dos discursos desenrola-se, portanto, na dimensão de uma história geral. Tenta mostrar que, apesar de autônomo e específico, nem por isso o discurso desfruta do status de pura idealidade e de total independência histórica.

Arqueologia analisa também as transformações discursivas: em particular, como aparece ou desaparece uma formação discursiva; como, de modo mais geral, uma formação discursiva substitui outra.

Em A arqueologia do saber, Foucault, no fundo, explica o que quis fazer nos livros anteriores: uma descrição pura dos fatos do discurso, um estudo desse vasto campo constituído pelo conjunto de todas as “coisas ditas” que, em sua dispersão de acontecimentos, dão-se como medicina, economia política, biologia … Mostrar que esses discursos formam domínios autônomos (ainda que não independentes), regrados (ainda que em constante transformação), anônimos e sem sujeito (ainda que permeiem tantas obras individuais): esse é o projeto de Foucault, projeto reafirmado na sua aula inaugural no Collège de France em 1970.

Edição brasileira: A arqueologia do saber, Petrópolis, Vozes/Lisboa, Centro do Livro Brasileiro, 1972.

Estudos: G. Deleuze, Foucault, Ed. de Minuit, 1986.
A. Kremer-Marietti, Foucault et l’archéologie du savoir, Seghers, 1974.

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