As duas fontes da moral e da religião – Bergson

 Em Filosofia

HENRI BERGSON,1859-1941.

As duas fontes da moral e da religião, Les deux sources de la
morale et de la religion,
1932.

Na última de suas grandes obras, Bergson aplica sua filosofia da vida criativa às questões éticas e religiosas, superando assim as teses admitidas pela sociologia fran cesa (Durkheim). A obrigação, à qual é dedicado o primeiro capítulo, é um peso que
incide sobre a vontade à guisa de hábito. Ela é a forma assumida pela necessidade no domínio da vida quando, para realizar certos fins, ela exige inteligência, escolha e, por conseguinte, liberdade. Mas a obrigação pode transfigurar-se em moral completa, que é a dos heróis e dos santos. Pressão social (da moral fechada) e elã de amor (da moral aberta) são as duas manifestações da vida, que procura transfigurar-se em elã de evolução criativa.

No capítulo 2, a religião estática é definida como reação defensiva da natureza contra o que poderia haver de deprimente para o indivíduo e de dissolvente para a sociedade no exercício da inteligência. “A religião, por seus ritos e cerimônias, tem a função de manter a vida social.” As perturbações provocadas pela inteligência (a representação de um futuro incerto, a ameaça do egoísmo individual) são compensadas e anuladas pela função fabuladora da religião natural.

A religião dinâmica é objeto do terceiro capítulo. Em torno da inteligência há uma orla de intuição. Conseguindo-se fixá-la, intensificá-la e completá-la em ação, obtém-se a religião dinâmica (o misticismo), “júbilo no júbilo, amor pelo que só é amor”,
inserida no próprio movimento do elã vital. O misticismo é a intensificação superior da intuição que subsiste em nós (ao lado da inteligência), e que nos permite ir às raízes de nosso ser. A intuição mística é participação na essência divina; sugere que a criação é um empreendimento de Deus para criar criadores, “para associar a si seres dig nos de seu amor”.

O quarto e último capítulo intitula-se “Observações finais. Mecânica e mística”. O desenvolvimento industrial – afirma Bergson – dota-nos de um poder que será ilimitado quando a ciência souber liberar a força representada pela menor parcela condensada de matéria ponderável. Aí então caberá o apelo ao herói. Pois o homem poderá deixar de dedicar-se tanto à investigação da matéria e mais à do espírito e do psiquismo, possibilitando a propagação da intuição mística, único meio de reerguer uma humanidade que geme, “parcialmente esmagada pelo peso dos progressos que realizou”.

Edição brasileira: As duas fontes da moral e da religião, Rio de Janeiro, Zahar, 1978.

Estudo: W. Jankelevitch, Henri Bergson, P.UF., 1959.

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