Dialética do Esclarecimento – Adorno e Horkheimer

 Em Filosofia, Livros (Sugestão de Leitura)

DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO,

Dialektik der Aufklärung. Philosophische Fragmente, 1947.
THEODOR WIESENGRUND ADORNO, 1903-1969,
e MAX HORKHEIMER, 1895-1973.

Constatando que a humanidade, ao invés de rumar para condições humanas, afunda numa nova forma de barbárie, Adorno e Horkheimer analisam de maneira muito crítica os mecanismos culturais de domina­ção da sociedade ocidental. Membros da escola de Frankfurt – corrente cujo nasci­mento acompanhou a derrocada dos parti­dos de esquerda na Alemanha dos anos trinta -, os autores teorizam a “autodestrui­ção da Razão”; sua crítica da razão históri­ca leva-os a ver na Aufklärung a raiz dos males: a razão das Luzes nada mais era que um Logos dominador, cujas manifestações modernas seriam o fascismo e o nazismo.

Obra singular, portanto, essa Dialética do esclarecimento, que conceitualiza o pro­cesso autodestruidor das Luzes e empreen­de assim uma crítica da razão instrumental. Instruindo a Razão sobre si mesma, os autores ressaltam nessa ocasião que, ao con­trário da ideia que o pensamento esclareci­do tinha de si mesmo, “o mito já é Razão, e a Razão se converte em mitologia”; é essa tese que vem ilustrar uma longa digressão sobre a dialética do mito e da Razão na Odisséia, mas também longas exposições dedicadas a Sade ou a Nietzsche.

O radicalismo das análises, que pratica­mente impede qualquer perspectiva que possibilite escapar “do mito da racionalida­de teleológica erigida em força objetiva”, não deixa de lembrar a crítica nietzschiana à cultura. Mas a impulsão crítica é aqui tão viva que – como observa Habermas – conduz os autores a subestimar as conquistas da modernidade cultural “a ponto de ver, em tudo, apenas aliança da razão com a do­minação”. Nem por isso deixaremos de res­saltar, como fizeram Adorno e Horkheimer em 1969, a atualidade de um texto que, embora escrito na época da queda do nazis­mo, anunciava essa “inversão da Razão em positivismo” que se manifestaria na segun­da metade do século XX. É provavelmente isso que explica a influência exercida por esse texto sobre a vida intelectual alemã das duas últimas décadas.

Edição brasileira: Dialética do esclarecimento, Rio de Janeiro, Zahar, 1985.
Estudo: J. Habermas, Le discours philosophique de la modernité, Gallimard, 1988.
Theodor W. Adorno (rechts) zusammen mit Max Horkheimer (1965)

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