Divina Comédia

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DIVINA COMÉDIA,
La divina commedia, 1472.
DANTE ALIGHIERI, 1265-132l.

A obra La Divina Commedia di Dante de Domenico di Michelino, data de 1465 e retrata Dante Alighieri segurando uma cópia da Divina Comédia.

A Divina comédia é a aventura espiritual da humanidade. O poeta, que representa esta última, percorre os três reinos do além: Inferno, Purgatório, Paraíso. A composição da obra, que durou de 1307 a 1321, obede­ce a considerações numerológicas, guiadas pelo valor simbólico do número 3 (a tríade desempenhava papel importante na aritmo­logia pitagórica). Três partes (ou “Cânti­cos”), compostas por trinta e três cantos cada uma, sucedem-se ao prólogo.

Perdido na floresta do pecado, em meio a monstros, o viajante será de lá tirado pela razão (personificada por Virgílio). Condu­zido para os nove círculos do Inferno, ele assistirá ao suplício dos danados (assiste-se ao desfile de alguns grandes criminosos his­tóricos) e poderá aquilatar o mal em todo o seu horror. Devido à imaginação delirante de que dá testemunho e à vivacidade de suas descrições, o Inferno permaneceu como a parte mais célebre da obra (às vezes publi­cada isoladamente). Em seguida, o poeta chega ao Purgatório, lugar de penitência, mas também de esperança (a montanha dos nove degraus). Para acabar, a descoberta do Paraíso (os nove céus do universo ptolomai­co) será feita sob a orientação de Beatriz e de São Bernardo, visto que o pagão Virgí­lio não era mais qualificado para isso! As­sim como no Inferno, encontram-se alguns ilustres: São Francisco, São Domingos, São Bento, Tomás de Aquino, Sigério de Braban­te, com quem se discute teologia. A visão de Deus no Empíreo coroa a alegoria.

A Divina comédia é um poema, uma epo­péia, mas também uma súmula, uma espécie de enciclopédia viva dos conhecimentos da época. Pertence ao tesouro das obras ine­xauríveis. Sua riqueza abundante, transbor­dante, só pode ser comparada à da Enci­clopédia ou da Fenomenologia do espí­rito (obra com a qual apresenta muitas ou­tras analogias). Do ponto de vista estilístico, o sucesso dessa obra está principalmente – além da pujança intrínseca dos versos de Dante – na unidade perfeita do todo e da in­finita variedade de detalhes que a compõem. Cabe acrescentar que Dante, nesse texto e em alguns outros, cria a língua italiana.

Edição brasileira: Divina comédia, São Paulo, Cul­trix, 1970.

Estudo: M. de Gandillac, Dante, Seghers, 1968.

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