Ensaios de Estética – Benedetto Croce

 Em Livros (Sugestão de Leitura)

Benedetto Croce
ENSAIOS DE ESTÉTICA, 1991.
BENEDETTO CROCE, 1866-1952.
Seleção de textos sobre estética.

A questão da definição de arte subjaz a todas as teses do autor, que começa por inquirir sobre o que a arte não é: não é filosofia, porque a filosofia é uma reflexão lógica, enquanto a arte não é refletida. A arte não é história, que se baseia em categorias críticas, ao passo que a arte só vive de imagens puras. A arte não é ciência, ainda que se constate uma força construtiva e unificadora no espírito poético. Não é simples jogo da imaginação, mas preocupação séria de transformar um sentimento vago em intuição clara. A arte não é tampouco sentimento imediato, mas sua contemplação. Por fim, a arte não poderia ser utilizada para fins morais. Portanto, para Croce a arte é, antes de mais nada, intuição lírica pura. A intuição é a essência do fato estético. Contudo, não há a priori estético “em si”, porém algo de imanente às obras singulares.

O discurso sobre a arte por excelência é a estética: ela reorganiza incessantemente o universo das obras. A estética é mais que aparentada à filosofia, ela é “toda filosofia”, além do fato de tratar de arte. Assim, não se pode separar história da filosofia de história da estética, tanto quanto é impossível uma estética não filosófica. O autor reafirma, secundando Baumgarten – inventor do termo “estética” -, o papel primordial dessa disciplina: preencher o espaço entre as percepções confusas da vivência e as intuições claras cuja realização são as obras. Croce também acredita que a arte é fundamentalmente Una, e que qualquer classificação ou divisão é técnica, o que provoca uma confusão entre arte e téc-nica; esta é apenas uma ação prática para a conservação e a comunicação das obras.

A perspectiva do autor é idealista, mas não intelectualista, uma vez que se afirma a imanência do espírito na arte. Esses textos se opõem à metafísica e ao positivismo. A influência do autor, quanto às ideias e ao método, não constitui unanimidade, mas é considerável sobre o conjunto da cultura italiana.

Estudo: P. Olivier, Croce ou l’affirmation de l’immanence absolue, Seghers, 1975.

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