Vigiar e Punir – Nascimento da prisão

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A publicação desta semana trata do estudo sobre a obra Vigiar e Punir. Nascimento da prisão, do filósofo francês Michel Foucault. Esse texto visa a traçar a genealogia do poder de punir em seu “complexo científico-judiciário”. Leia abaixo.

(…) No início do século XIX, começa a desaparecer o grande espetáculo da punição física. A prisão passa então a ser a forma essencial de castigo. Se a prisão se impôs como modelo coercitivo do poder de punir, foi porque se inseria perfeitamente naquilo que Foucault chama de sociedade da vigilância, “a que ainda pertencemos”. Essa sociedade, que se formou ao longo da era clássica, caracteriza-se por todo um conjunto de procedimentos cujo fim é vigiar, adestrar e controlar os indivíduos. O cerco disciplinar aos corpos é possibilitado por toda “uma anatomia política do detalhe”, pela arte da repartição dos indivíduos no espaço, por um sistema minucioso de regulamentos. A vigilância hierárquica, os exames e a sanção normalizadora completam a posse do poder sobre os corpos, o domínio das multiplicidades humanas.
Será então de espantar que o grande confinamento carcerário tenha triunfado, e que as prisões se assemelhem a fábricas, escolas, casernas e hospitais? O ponto ideal da penalidade moderna não será, no fundo, o mesmo de nossa máquina social, ou seja, um interrogatório sem fim, um inquérito que se prolongaria sem limite, uma observação minuciosa e perpétua dos indivíduos?
Vigiar e punir nos mostra o poder como exercício de corpos a investirem sobre outros corpos para cerceá-los, sujeitá-los, educá-los. Ao contrário de toda a tradição que identificava o poder com o Estado e seus aparelhos, Foucault mostra que o poder é plural. Não é apenas aquilo que censura e reprime, mas também aquilo que produz almas, ideias, saber, moral; em outras palavras, produz poder que perpetua com outras formas.

Estudo: M. Perrot, L’impossible prison: recherche sur le système pénitentiaire au XIX siècle. Débat avec Michel Foucault, Le Seuil, 1980.

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